terça-feira, 1 de novembro de 2011

Comichões


São comichões que tenho em mim
Dilacerações, um rodopio, frenesim
Assobio um assim-assim às bifurcações
Que vão aparecendo
Alucinações e  pancadas
Que só eu entendo
Meia dúzia  de gavetas desarrumadas
Deixo-as estar assim
Hei-de enlouquecer 
Muitos antes de lhes mexer
Antes de as organizar
Falo, falo um bocado, falo sem parar
Não é que tenha vontade
Ou me traga algum tipo de saciedade 
É um disfarce  
Vestido de dialecto inquieto, desconexo,
Enquanto se riem para mim
Das minhas comichões
De um ou outro hematoma
Danos colaterais de uma chorona
Depois,os balanços, as somas e subtracções
Odeio contas
Principalmente as das comichões
Acabo sempre a perder mais
Do que apostei
E  a ter admitir que fui eu que errei
Vou coçar-me mais um bocado
Pensar que comigo não é nada
Vou virar-me para o outro lado
E fingir que acredito numa pomada



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